segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O que é Balão Intragástrico???????????????!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Em 1986, o Dr. Fred C. Gau desenvolveu o primeiro balão confeccionado com uma substância inerte, o silicone. Esse balão é preenchido com soro e azul de metileno ( corante). Chamou-o assim de balão intragástrico de silicone e rapidamente ganhou todo o mundo. No Brasil, os estudos com esse tipo de balão começaram no ano de 1996 e, devido aos bons resultados, foi considerado um método seguro e pouco invasivo para o tratamento da obesidade.

Em 2003, outro tipo de balão foi desenvolvido por uma empresa européia. Um balão de silicone, mas preenchido com ar (balão de ar) e, por isso, bem mais leve, o que conferia mais conforto ao paciente. Porém, observou-se na época alguns problemas no momento da sua retirada. Esse balão evoluiu e o problema foi corrigido.
Atualmente, existem 2 tipos de balão no mercado: os balões de líquido e os balões de ar. Esses últimos possuem a vantagem de produzir menos efeitos colaterais nas primeiras semanas pois pesam apenas 20 gramas e, por isso, são menos rejeitados e melhor tolerados pelos pacientes. Porém, a segurança e a eficácia dos 2 balões é a mesma.

Como funciona o balão gástrico?

A função do balão é preencher parte da câmara gástrica e, por conseqüência, provocar saciedade precoce. Isso significa dizer que o paciente ficará satisfeito após comer uma quantidade muito pequena de comida. Esse efeito de saciedade precoce permite ao paciente aderir a um programa de mudança comportamental, que compreende não somente uma reeducação alimentar, que deve ser acompanhada de perto pela nutricionista e pelo psicólogo, mas também uma atividade física orientada.

Como é a colocação desse balão?

O balão é introduzido no estômago do paciente através de endoscopia digestiva convencional. O paciente recebe uma sedação venosa e dorme durante todo o procedimento, que dura cerca de 15 a 20 minutos. O balão é introduzido pela boca(por endoscopia)   na forma compactada, isto é, desinsuflado. Quando atinge o estômago ele é insuflado com ar ou com soro. Dependendo do tipo de balão utilizado, logo após o exame, o paciente vai para casa, sem necessidade de internação. O balão de líquido causa mais desconforto.

Qual a diferença entre o balão gástrico e a cirurgia?

São duas formas de tratamento bem distintas, mas que às vezes, se complementam.
As cirurgias bariátricas diminuem o volume da cavidade gástrica e ainda “excluem” um bom pedaço de alça intestinal. Isso tem dois efeitos: saciedade precoce e disabsorção. Isto significa que, além de se sentir cheio com pouco alimento, esse alimento que passou pelo tubo digestivo não é completamente absorvido pelo corpo.
As cirurgias evoluíram muito nos últimos 5 anos, com novas técnicas menos agressivas e que resultam em menores taxas de complicação. Porém, ainda assim, são consideradas formas de tratamento extremamente invasivas para a obesidade. O bom resultado da cirurgia vai depender do tipo de procedimento cirúrgico  escolhido, da saúde do paciente e de sua aderência ao tratamento, além da experiência do cirurgião. A vantagem desse tratamento é uma perda de peso acentuada, que corresponde a 30 - 40% do peso inicial. É comum o paciente achar que pode comer de tudo após a cirurgia e deixar de fazer atividade física ou mudar os hábitos de vida. Além disso, mesmo após a cirurgia, o corpo humano se adapta para compensar a falta de absorção e voltar a ganhar massa. O resultado disso é que o paciente volta a ter o peso elevado, às vezes próximo ao peso inicial.
O balão gástrico, ao contrário da cirurgia, não altera a anatomia do tubo digestivo. Como já foi dito, ele provoca apenas saciedade precoce, sem interferir na absorção dos alimentos. Por isso, o seu resultado depende muito mais da aderência do paciente ao tratamento. Ele permite uma perda de peso moderada (10 a 20% do peso inicial). Em compensação, é um procedimento muito seguro, com raras complicações, sem a necessidade de anestesia geral ou internação.

Quais as situações onde o balão gástrico está indicado?

 - Tratamento da obesidade em pacientes com IMC*(Índice de Massa Corporal) entre 27  e 40 que não emagreceram após tratamento clínico medicamentoso e nutricional bem orientado.
 - Tratamento da obesidade moderada (IMC entre 27 e 40) em pacientes com doenças de risco (cardiovasculares, respiratórias, articulares, ...).
- Tratamento da obesidade grave (IMC acima de 40) em pacientes que não aceitam a indicação de cirurgia ou que não tenham indicações clínicas para o tratamento cirúrgico.
- Para induzir a perda de peso em pacientes pouco obesos, mas com dificuldade de perder peso com tratamentos clínicos convencionais.
- Tratamento pré-cirúrgico (pré-cirurgia bariátrica) em pacientes com superpeso (IMC maior ou igual a 50) ou com contra-indicações para a cirurgia, devido ao risco cirúrgico elevado.
  *Cálculo do IMC:   IMC = peso / (altura)²

Quantos quilos eu posso perder com o balão gástrico?

Não há resposta exata a essa pergunta, pois a perda de peso só vai depender do paciente. A simples colocação do balão não provoca a perda de peso. A presença do balão no estômago provoca uma redução brutal do apetite. A partir daí cada um aproveita melhor essa situação como bem entender. A nossa sugestão é que esse investimento seja aproveitado ao máximo, com o paciente aderindo a uma mudança comportamental em relação a alimentação e a atividade física. Se isso for levado a sério, a perda de peso pode ir além do previsto, que varia de 10 a 20% do peso inicial.

Quais as mudanças que devo adotar na minha vida após a colocação do balão gástrico?

1) Alimentação: nas primeiras semanas após a colocação do balão gástrico, a sensação de saciedade precoce é muito intensa. Por isso, uma dieta especial deverá ser iniciada logo após o procedimento. O nutrólogo e/ou o nutricionista deverão acompanhar todas as etapas dessa mudança alimentar até o final do tratamento.
 2) Psicólogo: muitas são as vezes em que se subestima a importância desse profissional no processo de emagrecimento. O acompanhamento com o psicólogo é fundamental para resolver ansiedades, angustias, fobias e compulsões. A restrição alimentar desperta esses “fantasmas” que podem atrapalhar o tratamento.
 3) Atividade física: geneticamente, todos nós temos um nível de metabolismo basal. Em algumas pessoas esse metabolismo é elevado, isto é, grande parte das calorias ingeridas são transformadas e “liberadas” sob a forma de calor e uma pequena parte delas acumuladas sob a forma de gorduras pelo corpo. Ao contrário, quem possui um metabolismo basal baixo, libera pouco calor e acumula muita gordura corporal. Para perder peso, é necessário elevar o nosso metabolismo basal. Uma maneira natural e muito saudável de fazer isso é praticar atividade física diariamente e aumentar a sua intensidade gradativamente. Para praticar essa atividade, um orientador de atividade física (personal trainer) é necessário, pois é muito freqüente ocorrer lesões em atletas iniciantes com peso elevado.

Quanto tempo posso ficar com o balão?

Os diversos tipos de balões gástricos têm prazos de validade diferentes. Os balões de líquido tem o prazo de validade de 6 meses. Acima desse período as empresas não garantem mais a integridade do material. Porém, é importante saber que, independente da validade do balão, ele deverá ser extraído num prazo máximo de 6 meses. Após 4 meses da colocação do balão no estômago, esse órgão começa a apresentar um efeito de acomodação, isto é, o estômago dilata e aumenta o seu volume para compensar a dificuldade de espaço e assim acomodar melhor os alimentos ingeridos. Isso significa que, após cerca de 4 meses, o balão já não produz quase nenhum efeito de saciedade precoce e, por isso, não há sentido em deixá-lo no corpo por mais tempo. O que se faz então é extrair, aguardar cerca de 2 meses e, se houver interesse e/ou necessidade, colocar outro balão por mais 4 a 6 meses. Dessa maneira, não haverá o efeito de acomodação gástrica anteriormente citado.

Como é a retirada desse balão?

 Após 4 a 6 meses de tratamento, o paciente deverá procurar o seu médico para programar a retirada do balão gástrico. É um procedimento semelhante a colocação. Realiza-se nova endoscopia sob sedação venosa e o exame dura cerca de 15 a 20 minutos. O paciente dorme durante esse tempo e não deverá sentir nenhuma dor.
Ouvi dizer que, após a retirada do balão, o apetite aumenta muito e o paciente volta a ganhar todo o peso que perdeu. Isso é verdade?
Não. Em qualquer tratamento para emagrecer, o paciente pode voltar a ter o peso inicial, basta ignorar a reeducação alimentar, não praticar qualquer atividade física e não procurar a ajuda dos especialistas.
Não podemos nos esquecer de uma regra básica: a obesidade é uma doença crônica e deve ser acompanhada e vigiada permanentemente, assim como a hipertensão e tantas outras doenças. É uma ilusão as pessoas acharem que já emagreceram e então a “batalha já está ganha”. É aí que começa a verdadeira “batalha”: manter o peso. Isto é mais importante do que perdê-lo.
A própria cirurgia bariátrica é um bom exemplo disso. Quem pensa em fazer uma cirurgia para emagrecer e se esquece de manter uma vida saudável após a cirurgia, volta a ter o peso anterior. E o que é pior: com o estômago já operado e com poucas alternativas para outro método de emagrecimento. São inúmeros os casos de pacientes que caíram nessa “armadilha”: “posso fazer a cirurgia e depois comer o que quiser à vontade”. Ledo engano.
Com o balão gástrico não é diferente. Só depende de o paciente continuar com os hábitos que ele aprendeu a praticar durante o tratamento. Após a retirada do balão, não existe aquela coisa que muitos pensam: “Após retirar o balão, você vai aumentar muito o apetite e não vai conseguir sustentar o peso”. Isso não é verdade. Como já foi dito nesse texto, após 4 a 6 meses da permanência do balão no estômago, há um efeito de acomodação gástrica. Isso significa que, se o paciente quiser comer mais, ele consegue. Mas ele não faz isso porque está seguindo um programa de tratamento. Ele também não sofre um aumento do apetite porque o seu corpo já se adaptou, lentamente, a ingerir aquela quantidade de calorias por dia.
O paciente pode até ter a certeza de que isso vai realmente acontecer e ficar com isso na cabeça. Ele começa a sentir mais fome porque o cérebro impõe esse comportamento que o paciente acha óbvio. Mas isso é apenas uma “pegadinha do cérebro”. Você tem tanta certeza de que vai sentir isso, e aí acaba sentindo. Por esse e por outros motivos já citados, o acompanhamento com o psicólogo é tão importante.

Existem contra-indicações para colocação do balão gástrico?

Sim. São raras, mas existem. Apenas o médico especialista poderá listar as contra-indicações para a colocação de balões no estômago. Durante a consulta, o médico vai identificar as situações onde o balão não poderá ser colocado. O médico também tem o dever de explicar quais são todas as alternativas de tratamento para a obesidade.

beijos

Carol Foltran

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